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Sobreturismo em França: quando a Torre Eiffel precisa de férias

3 min de leituraPela equipa StyQR

Bem-vindo a França! O país do bom vinho, dos queijos de aroma intenso (e delicioso), da baguete... e do sobreturismo. Se já esperou três horas numa fila para subir ao Mont-Saint-Michel, ou se abriu caminho aos empurrões pelas ruelas de Saint-Tropez em pleno verão, sabe bem do que estamos a falar.

O sobreturismo em França tornou-se uma realidade bem visível. Mas porque acontece? Quais são as consequências? E, sobretudo, como resolver o problema sem afugentar os nossos queridos turistas? Contamos-lhe tudo, com um sorriso.

O que é o sobreturismo?

O sobreturismo, ou overtourism para os mais anglófilos, designa uma afluência turística tão elevada que ultrapassa a capacidade de acolhimento de um local, ao ponto de prejudicar o ambiente, os residentes… e até a própria experiência dos visitantes.

Números que dão vertigens

Antes da pandemia, França recebia cerca de 90 milhões de turistas por ano, um recorde mundial. Paris, a Côte d’Azur, o Mont-Saint-Michel, os castelos do Loire... atraem multidões imensas, por vezes até à asfixia. E, desde o regresso em força do turismo pós-Covid, alguns locais voltam a gritar "socorro!".

As causas do sobreturismo em França

O sucesso de França (pois é, a culpa também é um pouco nossa)

França é bonita, diversificada, culturalmente rica… em suma, irresistível. Entre o glamour parisiense, a dolce vita provençal e os Alpes cobertos de neve, compreende-se que todos queiram vir.

As redes sociais

O Instagram e o TikTok transformaram lugares encantadores em estrelas mundiais. Resultado: todos querem a fotografia perfeita diante das falésias de Étretat ou na rue Crémieux, em Paris, convertida contra a sua vontade em estúdio fotográfico.

As viagens baratas

Voos low-cost, Airbnb, arrendamento entre particulares… Viajar nunca foi tão simples nem tão acessível. Resultado: até os cantos mais recônditos de França se tornam "trendy" e sobrelotados.

Uma concentração geográfica

80 % dos turistas concentram-se em 20 % do território. É matemática pura: quanto mais gente vai para o mesmo sítio, mais aquilo entope. Paris, Nice, Estrasburgo… são tomadas de assalto, enquanto outras pérolas permanecem tranquilas (e é uma pena).

Consequências do sobreturismo

Pressão sobre o ambiente

Praias sobrelotadas, resíduos por todo o lado, erosão dos solos… Demasiados visitantes = grande impacto ecológico. Até as calanques de Cassis acabam por gritar "basta!".

Vida local perturbada

Subida das rendas, comércio que se adapta aos turistas em detrimento dos residentes, transportes saturados: em certos bairros de Paris ou de Annecy, a população local foge das épocas turísticas como o diabo da cruz.

Património em perigo

Monumentos frágeis, trilhos naturais pisados, aldeias históricas degradadas… À força de selfies e de passagens sem fim, o nosso património vai ficando sem forças.

Experiência turística degradada

Ironia do destino: quanto mais turistas há, menos agradável é a experiência. Demasiada gente, demasiada espera, demasiado ruído… e a magia desaparece.

Como reduzir o sobreturismo em França (sem fazer má cara aos turistas)

Felizmente, há soluções. E não, não estamos a falar de construir um segundo Mont-Saint-Michel em plástico.

Reduzir a sazonalidade do turismo

Porque razão temos todos de vir em julho e agosto? Em maio ou em setembro, o tempo está bom, os preços são mais suaves e a população local está mais descontraída. Promover a época baixa é bom para todos.

Dispersar os fluxos

França está cheia de lugares magníficos fora dos circuitos habituais. Em vez de Saint-Tropez, porque não visitar Collioure? Em vez do Mont-Saint-Michel, pense na abadia de Sénanque. Menos gente, o mesmo encantamento.

Incentivar um turismo responsável

Optar por alojamentos com rótulo ecológico, preferir a mobilidade suave, respeitar os locais… Cada gesto conta. Um bom turista é um turista consciente.

Regular o acesso a certos locais

Algumas cidades e regiões já estão a testar a reserva obrigatória, as quotas ou as taxas turísticas. Veneza fê-lo, a Córsega está a pensar nisso e França segue lentamente o movimento.

Envolver os residentes

O turismo não deve fazer-se contra os residentes, mas com eles. Associando-os às decisões e valorizando a economia local, cria-se uma relação em que todos ganham.

Em conclusão: por um turismo mais suave e mais sustentável

O sobreturismo não é uma fatalidade. É um apelo a distribuir melhor, planear melhor, respeitar melhor. França tem tanto para oferecer, muito além dos clichés dos postais. Então sim, Paris continuará a ser Paris. Mas e se olhássemos um pouco mais longe? E se saíssemos das filas de espera para saborear melhor a França verdadeira?

A todos os apaixonados por este país: cuidemos do nosso património, das nossas aldeias, das nossas praias… e ofereçamos às gerações futuras o luxo de um turismo sereno, autêntico e respeitoso.

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